Domingo, Novembro 12, 2006

"TOLAS PAIXÕES"

"TOLAS PAIXÕES"
F.F.G., 27/06/2002.

Por que as pessoas morrem numa floresta?
Morrem de vergonha!
Vergonha de não saberem onde estão.
E morrem porque lutam,
não variando o lutar.

Por que as pessoas morrem?
Morrem a cada dia que levantam para fazer o mesmo.
“Mais do mesmo”, sempre o mesmo.
O fútil, o tênue, o medíocre, o cíclico.

Por que as pessoas morrem?
Porque se cansam; se cansam da rotina,
do torpor, da ausência do novo.
Cansam-se do belo, que, sempre belo, belo deixa de ser.
Cansam-se do caminho único, das mesmas coisas,
das mesmas histórias.

Histórias tão contadas...
que expressam sempre o caminho, a luta, o êxtase.
Nas mais diversas formas, e cores, e sons.

Tolos, os homens.
Ébrios dos próprios vícios.
Morrem na busca, no esforço,
na nobre ausência poética da arte.
Ausência?

Tolos os homens,
Que se cansam de tanto cansar.
Morrem quando o corpo sucumbe, e se esgota, e se esvai;
Corpos lascivos, estes, os seus, os nossos;
que morrem de tanto beber da mesma água
e comer do mesmo pão morno e sem gosto.

De que vale a vida, então, se o ciclo é eterno?
E as pessoas tolas?
Tolas do orgulho, da falsa dádiva,
da vaidade que as assombra!?
Tolas em suas próprias prisões culturais!?
Tolas porque leitoras dos próprios poemas!?
Tolas do próprio escárnio!?
Tolas das próprias paixões?

De que valem as pessoas pelo seu corpo?
De que valem as vidas?
Se é que, impanteísticamente, no plural existem?
Qual a resposta? Ou a direção e o sentido?
Talvez a própria luta?
E lutamos, nós, pelo novo?
Ou pelo falso novo?
Por que é que as pessoas morrem numa floresta?

E há razão mais exata que a ignomínia?

Porque têm tudo, e nada.
Porque estão, e não estão.
Porque sabem, e não sabem.
Porque lutam, sentem e buscam...

Lutam, sentem e buscam, mas não mudam.
E se cansam de tanto lutar.

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