Quarta-feira, Dezembro 27, 2006

"E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE..."

"E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE..."
F.F.G. (publicada na 2a Edição do Jornal O Leão, 2004).

Os ratos, aqueles pequenos mamíferos roedores de dentes talhados em cinzel pertencem, na verdade, à família dos camundongos, Muridae.

Distribuídos em cento e vinte espécies, os mais conhecidos: o rato preto e o rato pardo, pertencem ao gênero Rattus. Comparado ao preto, mais manso, o rato pardo é bravo e agressivo. No entanto, tanto os pretos quanto os pardos vivem em grandes grupos (constata-se que sempre alguns ratos dominam os demais).

Costumam viver sob os soalhos, dentro das paredes, em montes de lixo ou no solo. Se acontecer de duas espécies habitarem o mesmo prédio, elas irão acabar, inevitavelmente, segregando-se em regiões ou pisos específicos (geralmente os ratos pretos habitando os pisos superiores, e os pardos, o térreo).

E a natureza em moderato os contempla; lívida, dinamicamente inerte, dançando em sua esplêndida ironia.

Todos têm caudas finas e escamosas, e garras compridas e afiadas. Os pretos chegam a pesar cerca de trezentos gramas e medem de dezoito a vinte centímetros. Orelhas grandes, focinho pontudo e pêlo macio são algumas características gerais; porém, somente os pardos - conhecidos por “ratazanas” - podem medir de vinte a vinte e cinco centímetros, e pesar meio quilo.

Portadores de germes e doenças, dentre as quais a peste bubônica, intoxicação alimentar e tifo, os roedores da família Muridae também prejudicam plantações de cereais e rebanhos. Por outro lado, há de se lembrar serem extremamente úteis ao homem, por servirem de cobaias em valiosíssimas pesquisas científicas.

Apesar do pêlo macio (e aspecto meigo e doméstico de alguns) os ratos se alimentam de toda espécie de animais ou plantas (até mesmo da carne de ratos da mesma espécie). Para a alimentação, têm hábitos noctívagos; e algumas vezes se organizam em bandos para atacarem pequenos animais.

Além de transmitirem doenças, às vezes os ratos também podem atacar o homem (inclusive crianças de berço). No combate aos roedores, os homens – por sua vez - utilizam veneno, ratoeiras, ou alimentos anticoncepcionais. Porém, cautelosos que são, e com seu olfato apuradíssimo, muitas vezes os roedores acabam por fugir rapidamente do perigo.

A maioria deles vive em áreas que não podem ultrapassar quarenta e cinco metros de diâmetro, mas na escassez de alimento, podem percorrer longas distâncias.

A maioria acasala-se durante o ano todo; e as fêmeas têm de três a seis ninhadas anuais (a genitora cuida dos sete a nove filhotes até a terceira semana do puerpério). A maioria não ultrapassa o primeiro ano de vida em seu habitat natural. Têm muitos inimigos, como: gatos, cães, gaviões, corujas, cobras e doninhas; em cativeiro, entretanto, podem viver mais de três anos.

A maioria caminha sobre quatro patas, mas tem habilidade para caminhar com duas, lidando com os alimentos com as mãos.

Todos comem, bebem e acasalam-se.

Auto-preservam-se, atacam-se e auxiliam-se.

Selecionam-se, lideram-se.

E convivem, convivem no esplendor e na sacralidade desta sua natureza impudica. Como se levíticos em pentateucos naturais nos pudessem representar a grandeza da razão das coisas.

Dez ratos! Muridae. R.Rattus. Quarenta e cinco metros de diâmetro num décimo andar!

Rachmaninoff, piano concerto Nº 2 in C min, Opus 18, moderato.

"You´ll see the sun come shining through for you"

Eis a imagem! Eis a sinfonia. Eis a canção.


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