Fernando Furlanetto Galuppo, 2007.
Já não se sabe se eram dous, três, ou quatro, contos de reis - apenas que alguns: o valor de um bolero; de um ano de bonde na linda São Paulo; do instrumento do artista de rua que declama alguns versos buarques, bem como, no presente caso, do pires de Senhorita Natividade, que não se sabe como lhe escorregou às mãos a abraçar a quina de uma mesa da sala, espicaçando-se em pedaços, dos quais se perde a conta.
Já não se sabe se eram dous, três, ou quatro, contos de reis - apenas que alguns: o valor de um bolero; de um ano de bonde na linda São Paulo; do instrumento do artista de rua que declama alguns versos buarques, bem como, no presente caso, do pires de Senhorita Natividade, que não se sabe como lhe escorregou às mãos a abraçar a quina de uma mesa da sala, espicaçando-se em pedaços, dos quais se perde a conta.
Primeiramente: não, caro leitor! Quando aqui se fala em "Natividade", não pretende incorrer em plágio machadiano este nada insigne e ora criativamente natimorto narrador.
Tampouco pedantismo ou pretensa altivez, a grafia pretérita e desatualizada de alguns numerais, que ora nos servem paradoxalmente para a construção do retrato “do humano” não em tempos d´outros séculos, mas em sua reprografia do agora, destes tempos vindouros, futuros.
Porém, é preciso compreender, cara leitora - tu que poderás ver aqui se te assemelhas ou não à Senhorita Natividade deste texto - que, por vezes, substancial diferença se vê nas consequências da escolha do formato de um pincel, quando se pretenda na tela não exprimir o espaço, mas o tempo; quando na tela não se pretenda dar tons à forma, mas à sensação; quando pouco importe o substantivo, mas sim os advérbios subliminares.
Portanto, antes da breve narrativa propriamente dita, carecem estes breves esclarecimentos para que não se arremesse o datiloscrito ao cesto virtual, como faria este narrador com sua própria obra se já de início lhe adviesse, sem escusas ou humildes licenças, o pedantismo pérfido de se plagiar, sem motivos justificáveis, o grande mestre da escrita brasileira.
Não! "Senhorita Natividade" no presente conto não coincide com "Dona Natividade" machadiana, lá da "gente Santos", mãe dedicada de Pedro e Paulo, de “Esaú e Jacó”.
Ora, é claro que não se pode negar que, em muito, ambas as "Natividades" sejam a mesma pessoa, pois, mesmo que corram os séculos as mangueiras continuam a gerar mais mangueiras e as pedras mais pedras.
[…]
Continua.
1 comentários:
Ótimo!!
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