"SANATORIUM"
F.F.G., Abril/2001.
Um velho professor pára a observar, através de janelas, o comportamento de diversas pessoas num pequeno e belo jardim de hospital.
Sopros etílicos que purificam paredes translúcidas.
Ilustre barreira entre os homens.
Sábios portais da autocompreensão.
- No jardim, pessoas cantavam calorosamente em rodas musicais.
- Alguns, simplesmente quietos, sentavam-se em bancos de mármore, sem muitas reações a demonstrar. Tentavam encaixar peças de plástico umas sobre as outras; para construir objetos.
- Uma menina portadora da síndrome de Adams Stokes sorria ao pentear, com os dedos, uma pequena boneca de pano branca de longos e rubros cabelos de náilon.
- Um magro senhor de cabelos grisalhos cortados à máquina tentava escalar o muro para alcançar o cartaz de uma modelo seminua, que podia ser visto do pátio da psiquiatria.
- Duas senhoras gargalhavam juntas - sem parar - de forma até muito divertida, para o professor que as observava do outro lado da espessa janela de vidro.
- Um jovem procurava desesperadamente pelo irmão, que nunca existiu.
- Um menino tentava ler um pequeno livro vermelho. Porém, nunca virava a página (talvez fosse uma figura que estivesse admirando).
- Por fim, um elegante homem de cavanhaque; finos óculos retangulares discretamente caídos sobre o nariz, e com um olhar que expressava certa intelectualidade. Ele estava mal-humorado a contemplar toda aquela cena, em desaprovação ao que estava “sendo obrigado” a presenciar.
Mas via-se que, naquele momento, ele sequer podia ler os livros que talvez estivesse acostumado no passado. Porque este último homem - diferentemente dos demais - usava camisa de força.
F.F.G., Abril/2001.
Um velho professor pára a observar, através de janelas, o comportamento de diversas pessoas num pequeno e belo jardim de hospital.
Sopros etílicos que purificam paredes translúcidas.
Ilustre barreira entre os homens.
Sábios portais da autocompreensão.
- No jardim, pessoas cantavam calorosamente em rodas musicais.
- Alguns, simplesmente quietos, sentavam-se em bancos de mármore, sem muitas reações a demonstrar. Tentavam encaixar peças de plástico umas sobre as outras; para construir objetos.
- Uma menina portadora da síndrome de Adams Stokes sorria ao pentear, com os dedos, uma pequena boneca de pano branca de longos e rubros cabelos de náilon.
- Um magro senhor de cabelos grisalhos cortados à máquina tentava escalar o muro para alcançar o cartaz de uma modelo seminua, que podia ser visto do pátio da psiquiatria.
- Duas senhoras gargalhavam juntas - sem parar - de forma até muito divertida, para o professor que as observava do outro lado da espessa janela de vidro.
- Um jovem procurava desesperadamente pelo irmão, que nunca existiu.
- Um menino tentava ler um pequeno livro vermelho. Porém, nunca virava a página (talvez fosse uma figura que estivesse admirando).
- Por fim, um elegante homem de cavanhaque; finos óculos retangulares discretamente caídos sobre o nariz, e com um olhar que expressava certa intelectualidade. Ele estava mal-humorado a contemplar toda aquela cena, em desaprovação ao que estava “sendo obrigado” a presenciar.
Mas via-se que, naquele momento, ele sequer podia ler os livros que talvez estivesse acostumado no passado. Porque este último homem - diferentemente dos demais - usava camisa de força.
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