Imagine o leitor que fomos apresentados agora, nesta leitura, neste instante. E imagine, pois, que fomos apresentados por um desconhecido em comum, que nos fez as vezes de impedir nos quedarmos individualmente a sós, como se deslocados estivéssemos em uma festa de poucos conhecidos.
Isto é, imaginemos que não haja, necessariamente, qualquer pressuposição de identidade entre o leitor e este que vos escreve, posto que apresentados não por um amigo ou conhecido em comum, mas - como dito - por um estranho, um estrangeiro recíproco.
Estamos (ainda com a imaginação do leitor) ambos sentados na areia de uma praia límpida, quase imaculada, por onde caminham muitas pessoas, que molham seus pés na água.
Praia curta, mas de areia muito branca; de onde nasce um mar bravo (mas de águas cristalinas). Um ou outro coral rasgando, em ritmo, a superfície do espelho d´água esverdeado. Alguns rochedos sobressalentes ao longe ainda descobertos à vista. E, por fim, nos extremos desta nossa praia não muito extensa, imaginemos também alguma distinta e modesta vegetação.
Se estivéssemos no mundo real, por certo que, em havendo muitas pessoas caminhando pelo local, “Impossível” – diria o leitor – “que a praia fosse límpida e desprovida de detritos”. “Impossível” – insistiria – “que o mar trouxesse águas verdes cristalinas e não óleo ou processamento humano”. Mas como o mundo em questão não é, propriamente, o real, cabe ao leitor-compreensivo, fagocitar-se ao cenário inexplicavelmente “límpido” (e, sim, “com pessoas”) dentro do qual deveras se encontra; sem se deixar sucumbir à tentação de qualquer pudor lúdico ou euclidiana racionalidade.
[…]Continua.
3 comentários:
Ah, seu cão irlandês, mudou a forma de escrever neste texto, né! Está uma belezinha! (como sempre, aliás!). Parabéns!
De seu fiel leitor (desde os tempos do jornal "O Leão" - isso mesmo, nobre leitor anônimo que não comenta no blog, mas o lê, imagine você que ele criou também um jornal também dia desses!),
Banchorro
Aliás, fez muito bem em abrir o blog a comentários, creia o senhor que seus nobres leitores anônimos sentem falta disso às vezes (só às vezes, não acostuma não!).
Sobre "O Leão", aliás, vossa mercê poderia muito bem fazer uma crônica a respeito (nobres leitores anônimos, entendam o meu lado: se um escritor não for valorizado, acaba desestimulado a escrever, entendem? Por isso peço: não porque eu goste dele - ele é um pulha - mas porque inegavelmente escreve bem).
Por fim, desde já eu me retrato por ter-te chamado de "pulha".
(Nobres leitores desconhecidos, entendam novamente o meu lado, mas só aqui, entre nós, ao canto do ouvido: isso que eu fiz no comentário anterior é crime contra a honra em local público. Se eu não me retratasse, o ilustre escritor poderia tentar me arrancar algumas patacas me processando...)
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