Domingo, Maio 13, 2007

"ÁGUA"

"ÁGUA"[1]
F.F.G., MAIO/2007.


Sai de ti mesmo.
Perde a forma.
Perde o tato.
Perde o corpo.
Como a água.
A água é o rio,
é o mar,
é a chuva,
é a nuvem,
é o orvalho,
é o mel,
é a lágrima,
é o leite,
é o corpo,
é a criança,
é a mulher,
é o homem.
A água não tem cheiro,
Não tem gosto,
Não tem forma,
Não tem cor,
Não tem dor.
A água voa,
Arrebenta,
Apaga o fogo,
Quebra a rocha,
Fertiliza o grão.
Água.
Só água.
Perde-te logo de ti mesmo.
Sai na chuva,
Sai descalço.

Sê água,
Só água.

Desce a cachoeira.
Corre invisível
Em nossas mãos secas.

Entra no teu corpo.
No meu corpo.
No do teu amigo.
(E no do teu inimigo também).
Perde o vácuo.
Perde a forma.
Perde a fórmula.
Rega a pétala.
O caule.
A raiz.
Depois chove à flor.
Embebece a abelha.
Prepara o café bom.
Lava o menino,
Enquanto a mãe vai cosendo.
(Alegra Drummond).
Quebra o rochedo.
Liberta-te.
Sobe, voa, volta.
E, enquanto é tempo,
Foge, definitivamente,
Ao cerrado de ti mesmo.

E quando acontecer: ama.
E vê se não morre novamente nunca mais.



[1] Inspiração de uma filosofia oriental chinesa advinda de Bruce Lee (sobre a água); conjugada a Carlos Drummond de Andrade.


http://www.youtube.com/watch?v=KRWVLxSxifY

KEY WORDS: [BRUCE LEE WATER]


6 comentários:

Andréa Struchel disse...

Caro Fernando
Seu poema, além de retratar um talento poético imanente, monstra uma preocupação ambiental estratégica para os próximos anos - a carência de um dos recursos naturais mais vitais - á água.
Tomo a liberdade de divulgar esse lindo poema no mailist ambiental.
Att,
Andréa Struchel

ban disse...

bonito. (não entendi nada - sou burrão mesmo - mas é bonito mesmo assim).

Anônimo disse...

Gotas de água da chuva se misturam ao orvalho derramado pela rosa, solitária e noturna, que chora sem parar...

Sonia Novaes disse...

Água fonte de vida...hoje fui trabalhar em Piracicaba.
Toda vez que vou lá(cidade que morei por dois anos),tenho que passar para ver o rio...
Ah! que pena...tão seco...tão sujo, até que tentam embelezá-lo...mas como se diz:por fora bela viola, por dentro pão bolorento...
Bem assim mesmo...
Lembro quando morávmos em Lucélia, e nas férias vínhamos passar com meus avós aqui em Campinas,papai passava por Piracicaba,para que pudéssemos ver o Salto de Piracicaba...era tão lindo ver os peixes pularem na cachoeira,ficávamos horas e horas curtindo o espetáculo grandioso da natureza...
Hoje que tristeza...um dia vai acabar...ele está morrendo bem debaixo dos nossos olhos...o homem destruindo o planeta...e a água...também um dia acabará...e nós?
Li e reli o que vc escreveu Fernando...alma de poeta...
Bjs
Sonia Novaes

Moon Goddess disse...

eu entendi tudo (rss) e achei lindo.

;)

ban disse...

é... eu também... demorou, mas entendi! Linda poesia!