Quinta-feira, Julho 26, 2007

"VERDE PÁTRIA MINHA"

"VERDE PÁTRIA MINHA"
F.F.G., 26/07/2007.

Verde é a coroa de folhas de louro
Que abraça a frente e a gente
O tempo e o ouro
De minha pátria

Verde é o broto, a mata
O mar de algumas praias
E o fruto, ainda novo
Do sal de minha terra
Que, do alto, afoito, ainda cresce
Mas que num tempo
Curto ou longo amadurece
A beijar o brasil-solo
Que aqui de baixo lhe idolatra

Verde é o líquor-néctar verde-água
Que das veias de minha pátria se deságua
Que caminha através de cada planta
Que caminha através de cada grito,
Canto, campo, reza ou mantra
Que caminha através de cada tronco,
Ramo, folha, verso ou lágrima

Verde é a esmeralda, ou soldo
Que procura, o pai, cujo filho, ao longe, cresce
Verde, também, o chimarrão do boiadeiro,
Cuja vida, não amanhã, mas hoje, tece
Verde: o canto do boêmio, que num verso,
Ou bossa, ou fossa, tudo veste
E verde, assim, também: o papagaio,
Que, poeta, d´outro canto,
Tudo ouve e só repete

Aqui, verde é o bem-te-vi,
Que, sereno, canta a traviatta
E verde, aqui, assim, também:
A cauda do pavão,
Que de tão bela e grande encanta
A fantasia da rainha de outro samba,
Que verdejante
Hoje dança a minha pátria

Verde: a oliveira bragantina
Que inspirou nossa bandeira cristalina
Verde: o riso e a fita da baiana, africana
E verdes: os olhos doces italianos da loirinha

Verde-claro, claro, dentre outros: o abacate
De que não se sabe salgado ou doce
De que não se sabe se nosso ou d´outros
E de que se espera que algum dia
O sal do mar não o fira ou mate

Verde, enfim, é a cinza-rima
Que se quebra ao palco
E assim a grama do campo
Do menino negro e branco
Já descalço

“Verde as matas no olhar”
– brada o verso
Mais verde!
Verde mais!
Ver demais!

Ver de pé
Ver de quatro
Ver de cima
Ver debaixo

Ver decoro
Ver decreto
Ver de novo
Ver decrépito

Ver de volta
Ver de dia
Ver de noite
Ver devia

Ver de longe
Ver de perto
Ver descalço
Ver decote
Ver de cujus
Ver defeitos
Ver despir

Ver de cor
Verde cor!

Verde: a Caipora
De tantas histórias
De nosso folclore
De tantas memórias

Verde, o semáforo que permite
Verde, a jogada do malandro
Verde, a carta do palpite
Verde, um jovem se hidratando

E verde, assim, também:
A Caixa de Pandora,
Da esperança, do mito perdido,
D´alhures, d´outrora

Sempre verde, a minha pátria
Esta minha pátria nada provinciana
Verde, amarela, azul e branca:
Pátria minha viniciana

“Tão íntima”
“Tão pobrinha”
Tão íntima
Tão verdinha

Verde-escarlate, assim, também,
Ao daltonismo puro e simples dos que lêem
E verde mesmo ao cego,
Que respira as notas-cores
De sua madeira flauta doce,
Desta fronteira agridoce,
Ou de um lugar muito além

É verde, pois,
O sorriso, e a dor
Antes e depois,
Da minha pátria sem cor

Da minha pátria que chora
Da minha pátria que canta
Da minha pátria “ide embora”
Da minha pátria “de infância”

Sem nome, e tão íntima,
Esta pátria sem cor
Mas da lágrima autêntica,
De sonho, e de amor

Pátria Minha
Verde Pátria Minha

Já não sei se por ti choro
Ou se já estou te amando
Mas em tua memória já moro
Teu filho, sem cor, Fernando.


3 comentários:

Anônimo disse...

O que seria do verde, se todos gostassem do amarelo? (rsrsrsrs)

Historicamente,
Gramaticalmente,
Liricamente,
Ufanisticamente...
Magnífico!
Parabéns!

De seu ferrenho crítico literário de fabianas palavras que - talvez - não precisa mais se idenficar em suas opiniões,

Eu

Moon Goddess disse...

Seria ótimo, se não fosse maravilhosamente excelente.

Verdes também são os olhos de Ágape...

Sonia Novaes disse...

O verde sempre fez parte da minha vida...
Não existe tonalidades de verdes que nem no nosso país,em qualquer época do ano,temos as mais variedades tonalidades de verde..´
O Brasil é o pulmão verde do Planeta Terra.
Mas temos que cuidar dos "nossos verdes",pois estão virando tochas negras nas mãos dos homens sem alma...
Ah! esse poema diz muito,e vc é uma pessoa iluminada...
Não veio ao mundo por acaso...com certeza...
Bjs
Sonia Novaes