Segunda-feira, Agosto 27, 2007

"JOSÉ E O AMULETO"

"JOSÉ E O AMULETO"
F.F.G. 27/08/2007.

“Não há nada que melhor defina
uma pessoa do que aquilo que ela faz
quando tem toda liberdade de escolha”
Do que o amuleto
A impressão
O olhar
A compreensão
O toque
Ou aquilo que motiva os homens quando, lassos,
Retrocedem ao esplendor
Azul e branco de um abismo nobre.

Não há nada que melhor defina o menino
Do que o sonhar pelo limite superado
O ápice de uma roda gigante
O vôo de um herói sem capa
O peixe grande de uma vara simples
A vitória de uma guerra
De uma guerra de botões
Ou de homens
Ou de almas

(E não há nada que
Melhor defina um homem do que
O não deixar morrer este menino).

Não há nada em um homem
Como o olhar de descoberta
Ou o como saber lidar
Com as paixões findáveis
Que tanto o assolam
E o instigam à prova
De não saber lidar consigo mesmo.

Não há nada como o choro simples
De um violinista no telhado
Que vê o desvanecer das boas tradições
Assim como a chuva
Que desmancha o castelo de areia
Daquele menino da roda gigante
Ou do amuleto
Ou do jovem
Que se define por suas escolhas
Abdicando à sedução do abismo.

Assim, o homem
O homem sem nome
Assim, a pedra no meio do caminho
No meio do caminho, assim a pedra
Assim, Drummond, José, e eu.
E agora, José?
(E agora, você?)
Assim, a teogonia
E os amuletos perdidos
Sortidos
Torpes de consciência
E cônscios desta vã ignorância
Que nos consome
Que nos consome enquanto homens
Nas margens plácidas
E nas margens estúpidas
Das águas claras,
De um rio sem fim

E o amuleto de infância
Num súbito
Mergulha pro fundo
(...profundo)

E agora?
E aonde?
E o mundo?
...e agora, José?

2 comentários:

Anônimo disse...

No princípio era o verbo...

O tempo o está moldando
De tal maneira,
Que o seu verbo não é escrito,
Mas parece talhado,
(Cada dia melhor talhado)
No melhor toque de um ourives.

Saiba, por fim,
Seu verbo não é lido,
Senão saboreado,
Tal qual o refinado vinho,
Especialmente posto... e degustado.

...e o verbo se fez poesia,
E habitou entre nós.

Parabéns.
Continue assim,
Talhando verbos
Em finas jóias de poesia.

julia_acidburn disse...

Um professor me mandou, gostou!? Se quiser eu te mando ;)
Beijos
:**