Muito se dizia entre um determinado grupo de animais que, apesar de suas taciturnidades, um certo flamingo da Mata Atlântica, embora pouco trabalhador, havia ao menos aprendido o cório de uma certa mercancia com a qual trabalhara, na mesma floresta, seu velho pai, um flamingo-mercador.
É que, como das guianas francesas, aqui, logo abaixo, das capitanias coloniais positivistas de Aragão e Castela, também já se fez, além de pomar e outras coisas mais, o escoadouro de inviabilidades jurídicas diversas.
Da avó formosa que dentro de um ovo chegou; do filho flamingo que também aqui nasceu e aprendeu; e do neto flamingo que um tanto de lá e de cá herdou, aqui, nestes rios brasileiros onde os girinos nadam esbeltos e itinerantes, é que se tem praticado, há três vezes três gerações, a mercancia dos flamingos, e dos esquilos, e dos porcos, e dos lobos.
“ - Por que ris, papai?” – perguntou um filho-esquilo a seu pai, que era joalheiro.
“- Nada não, filho! Bobagens...” - respondeu-lhe surpreso e ainda inevitando o sorriso, o velho artesão-roedor.
É que aquele flamingo da Mata Atlântica (o taciturno anfitrião deste conto) encomendara, com o esquilo-joalheiro, uma abotoadeira em ouro e madrepérola, por conta da ocasião de seu casamento.
Dada a encomenda, o velho esquilo lha aprontou com dedicação e primor, enviando-lha, com presteza, em seis dias, juntamente com a conta (previamente acordada na importância de dois mil e quinhentos reais).
Porém, dois dias após, recebera de volta, o joalheiro-roedor, encomenda, em mãos, do velho conhecido flamingo, abraçada a um bilhete manuscrito por este:
“Belíssima abotoadeira,
estimado esquilo artesão,
mas não me agradou o preço!
Se lhe for justa a quantia
de mil e oitocentos reais
deste envelope, favor
ficar com a mesma, e
retornar o pacote
sem romper o lacre”.
Irritado, o esquilo-artífice-de-pedras não aceitou o valor, pegou de volta seu pacote recusando o envelope, dispensou o mensageiro e, já dentro de casa, ao abrir o pacote lacrado, é que se pôs a rir à presença do filho pequeno, ao nele encontrar não o objeto esculpido com tanto trabalho com suas próprias presas, mas um cheque de dois mil e quinhentos reais, assinado pelo flamingo.
Quem sabe um dia, quando as proles lograrem idade menos taciturna à compreensão da itinerância dos anfíbios e suas gerações, não venha, em algum lugar desta grande floresta, um pai lembrar ao filho que não se esqueça de dedicar ao neto uma porção de suas noites à breve leitura das velhas fábulas de Tolstoi, Esopo ou Jean de La Fountaine.
Sorrisos à parte, o esquilo-pai se pôs então a guardar o pacote com o valor encontrado, colocar seu monóculo de lado, e se dirigir à lareira da toca para, após um longo dia de trabalho, se aquecer um pouco junto de sua família.
É que, como das guianas francesas, aqui, logo abaixo, das capitanias coloniais positivistas de Aragão e Castela, também já se fez, além de pomar e outras coisas mais, o escoadouro de inviabilidades jurídicas diversas.
Da avó formosa que dentro de um ovo chegou; do filho flamingo que também aqui nasceu e aprendeu; e do neto flamingo que um tanto de lá e de cá herdou, aqui, nestes rios brasileiros onde os girinos nadam esbeltos e itinerantes, é que se tem praticado, há três vezes três gerações, a mercancia dos flamingos, e dos esquilos, e dos porcos, e dos lobos.
“ - Por que ris, papai?” – perguntou um filho-esquilo a seu pai, que era joalheiro.
“- Nada não, filho! Bobagens...” - respondeu-lhe surpreso e ainda inevitando o sorriso, o velho artesão-roedor.
É que aquele flamingo da Mata Atlântica (o taciturno anfitrião deste conto) encomendara, com o esquilo-joalheiro, uma abotoadeira em ouro e madrepérola, por conta da ocasião de seu casamento.
Dada a encomenda, o velho esquilo lha aprontou com dedicação e primor, enviando-lha, com presteza, em seis dias, juntamente com a conta (previamente acordada na importância de dois mil e quinhentos reais).
Porém, dois dias após, recebera de volta, o joalheiro-roedor, encomenda, em mãos, do velho conhecido flamingo, abraçada a um bilhete manuscrito por este:
“Belíssima abotoadeira,
estimado esquilo artesão,
mas não me agradou o preço!
Se lhe for justa a quantia
de mil e oitocentos reais
deste envelope, favor
ficar com a mesma, e
retornar o pacote
sem romper o lacre”.
Quem sabe um dia, quando as proles lograrem idade menos taciturna à compreensão da itinerância dos anfíbios e suas gerações, não venha, em algum lugar desta grande floresta, um pai lembrar ao filho que não se esqueça de dedicar ao neto uma porção de suas noites à breve leitura das velhas fábulas de Tolstoi, Esopo ou Jean de La Fountaine.
Sorrisos à parte, o esquilo-pai se pôs então a guardar o pacote com o valor encontrado, colocar seu monóculo de lado, e se dirigir à lareira da toca para, após um longo dia de trabalho, se aquecer um pouco junto de sua família.
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