Como se não bastasse a brevidade dos tempos de farta irrigação e pluviosidade a um coração ou terra, o Complexo de Sísifo torna a reiniciar a estiagem, e a apertar, como um alicate, o lóbulo da orelha direita daquele jovem escritor “fabiano”, que subitamente desviou seu olhar da pena, para o canto da sereia; do pergaminho, para o aroma do pólen que lhe penetrou as narinas a alimentar seu canto.
E agora, como um filho que se vê de orelhas puxadas por seu próprio pai em direção à escrivaninha, o desorientado e pueril digitador fabiano que vive no íntimo de cada homem é inevitavelmente reorientado à tinta das “pseudonimias” mais sarcásticas e menos parnasianas, que simplesmente não conseguem deixar de tentar enxergar o significado ontológico da existência das fechaduras nas portas.
Despenca, portanto, aqui, como um trovão, não a literalidade, mas ao menos a base da essência do que ensinava um velho mendigo das urbanidades interiores paulistas: a assim chamada “teoria da bolha”.
A teoria em si é simples, caro leitor. Segundo a fábula daquele mendigo - quem não se sabe louco ou sábio - as bolhas de sabão, invisivelmente rosadas, estaticamente esféricas ou elasticamente elípticas, e em cuja película ínfima de um produto perfumado qualquer correm, incertos, múltiplos arco-íris invisíveis, seriam os objetos matemáticos mais perfeitos e sublimes que o universo já conheceu.
Exatamente: bolhas de sabão. Daquelas das crianças mesmo. Simples bolhas de sabão. Tão perfeitas e tão rarefeitas. Tão inexistentes e tão sensíveis. Tão ignóbeis e tão sublimes. De fato, estimado leitor, o objeto mais sensível e mais perfeito do universo é uma simples bolha de sabão. Daquelas que voam serenas por alguns poucos suspiros antes de "se suicidarem" e sublimarem da dimensão do aqui e do agora.
E o que diz a fábula do mendigo em sua narrativa mitológica subliminar quase espartana, é que, apesar de sensíveis, as bolhas de sabão seriam tão perfeitas que o que as estoura, em verdade, não é o vento ou uma suposta "morte natural", mas a inveja dos homens.
Continua.
2 comentários:
Seu blog é de intensa e caliente cultura......
Parabéns e que abençoada insônia ein?
tava fuçando no seu orkut, e encontrei seu blog.
raras palavras você usa.
adorei.
pra começar li só seu "quem sou eu" (daqui do blog), me identifiquei.
procurava algo pra ler na estante, e não tinha nada interessante mesmo, e vim parar na net, e por sorte(ou destino rs) encontrei seu blog.
pode contar comigo como leitora assídua!
beijos
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